Renda

A primeira coisa que deve-se deixar claro para os leigos (ou seja, a maioria das pessoas) é que renda não é bordado. Os desenhos da renda são tramados com seus próprios fios, enqüanto o bordado é apenas um detalhe feito sobre o pano. O fio com o qual é feita a renda é que indica seu status social no meio dos tecidos. Em ordem decrescente, ela pode ser de ouro, seda, linho, algodão, lã ou mesmo de tecido sintético.

. Existem inúmeros tipos de renda. A maioria deles leva o nome de onde a trama foi criada (renda de bruxelas, irlandesa, italiana, milanesa, valenciana, veneziana, etc.) e se diferencia pelos desenhos de cada uma. Vale saber que Saint Pierre des Calais é a região, no norte de França, onde fica o grande centro produtor mundial de renda atualmente.

. Mas há outro sem-número de nomes que nada têm a ver com o lugar de origem. Amor-perfeito, céu-estrelado, arabescada, bicuda, redendê, eggshell, tulipa, filé, esplendor, frivolité, labirinto, inocencce, renascença, cantebury moiré, radiance, ondulée, virtue etc. etc. etc.

As principais técnicas são a de agulha (uma evolução do bordado) e a de bilro (instrumento de madeira que serve como suporte para a técnica, uma evolução da passamanaria).

Nos séculos XVIII e XIX, os centros de produção de rendas de bilros eram Chantilly e Valencienses, cada um com desenhos próprios. Alençon, Argentan e Veneza são centros associados à renda de agulha. De início, o uso das rendas restringia-se aos mantos do clero e da realeza, geralmente sob a forma de passamanaria dourada ou prateada. Nos séculos XVII e XVIII, a renda já era usada em adornos de cabeça, babados, aventais e enfeites de vestidos. No início do século XIX, era muito empregada em vestidos; vestidos de chá; véus; casaquinhos; luvas; e os adornos de guarda-sóis e regalos,bertas, fichus, lenços e xales também foram feitos de renda.

Antes do século XIX ela costumava ser produzida em fios de linho, mas o algodão tornou-se mais comum. A renda feita à máquina surgiu no final do século XVIII, embora não fosse patenteada até meados do século XIX. A popularidade da renda caiu no final do século XIX e início do século XX. Desde essa época, raramente é usada e ficou associada à confecção de lingeries.

A renda nunca desapareceu por completo da moda, pois nos vestidos de noivas e debutantes ela sempre aparece. O alta-costura francesa também não dispensa o uso de uma bela renda.

Renda Chantilly

Esse tipo de renda recebeu essa denominação devido à cidade em que eram produzidas no início da produção de rendas pela França. É uma das confecções mais delicadas, finas e ricas.

 

 

 

 

 

 

 

 

Renda de Bilros

A renda de bilros é realizada sobre uma almofada dura, o rebolo, cilindro de pano grosso, cheio com palha ou algodão, cujas dimensões dependem da dimensão da peça a realizar, coberto exteriormente por um saco de tecido mais fino.

A almofada fica sobre um suporte de madeira, ajustável, de forma a ficar à altura do trabalho da rendilheira.

No rebolo, é colocado um cartão perfurado, o pique, onde se encontra o desenho da renda, feito com pequenos furos.

Nos furos da zona do desenho que está a ser realizada, a rendilheira espeta alfinetes, que desloca à medida que o trabalho progride.

Os fios são manejados por meio de pequenas peças de madeira torneada (ou de outros materiais como o osso), os bilros.

Uma das extremidades do bilro tem a forma de pêra ou de esfera, conforme a região. O fio está enrolado na outra extremidade.

Os bilros são manejados aos pares pela rendilheira que imprime um movimento rotativo e alternado a cada um, orientando-se pelos alfinetes.

O número de bilros utilizado varia conforme a complexidade do desenho.

 

Renda Filé

Renda de origem portuguesa, confeccionada pelas artesãs de todos os estados nordestinos. A Renda Filé surgiu paralelamente ao trabalho masculino em áreas pesqueiras. Para as rendeiras este tipo de renda lhe serve de inspiração, é como se fosse uma versão feminina das redes de pesca feitas pelos homens.

Os delicados fios trançados são valorizados pela moda romântica e artesanal. Dos teares saem lindas peças como colchas, toalhas, vestidos, saias, saídas de praia, xales e lenços e aonde a criatividade permitir. A Renda Filé surge a partir de uma rede simples, composta de nós. As artesãs vão compondo as peças com desenhos próprios. Primeiro elas trabalham a “malha” trançada com fio de algodão cru ou linha. Logo em seguida, é colocada numa grade para ser preenchida com os desenhos.

 

 

Renda Guipure

Considerada uma renda nobre, a renda guipure é tecida a partir de linho ou seda que produz um relevo em forma de arabescos. A renda guipure é de origem francesa e apresenta um aspecto mais bruto.

 

 

 

 

 

 

 

 

Renda Irlandesa

A renda irlandesa é um tipo de renda de agulha, dentre as muitas existentes no Brasil. Combina uma multiplicidade de pontos executados com fios de linha tendo como suporte o lacê, produto industrializado que se apresenta sob várias formas, sendo o fitilho e o cordão os mais conhecidos na atualidade.

 

 

 

 
Renda Renascença

Renda Renascença é um trabalho exclusivamente artesanal. Sua trama é executada a partir de um desenho riscado em papel manteiga, fixado em almofada e executada com agulha comum, utilizando linha e lacê (fita de algodão que une as tramas). As peças demoram de semanas a um ano para ficar pronto, dependendo do tamanho.