Sementes

Muito se utiliza de sementes da flora brasileira para a manufatura de artesanato. Mas, em geral, apesar de as acharmos lindas, não sabemos o nome das sementes brasileiras que são utilizadas para criar o artesanato.

 

Além disso, também é comum perguntarmos “mas essa semente é a fruta?” ou “de onde vem essa semente?”.  Cientificamente, semente é o óvulo maduro e já fecundado das plantas gimnospermas ou angiospermas. São elas que permitem a reprodução e dispersão das respectivas plantas. É assim que a mágica da natureza promove que as plantas se “auto-reproduzam”.

 

Açaí:

O açaí (Euterpe oleracea), também chamado uaçaí, açaí-branco, açaí-do-pará,açaizeiro, coqueiro-açaí, iuçara, juçara, palmiteiro, palmito, piná e tucaniei, é uma palmeira que produz um fruto de cor roxa muito utilizado na confecção de refrescos.

É muito consumido como suco ou pirão e cujo gomo terminal constitui o palmito. Assim, pode ser consumido na forma de bebidas, doces, geleias e sorvetes. O fruto é colhido por trabalhadores que sobem nas palmeiras com auxílio de um trançado de folhas amarrado aos pés – a peconha. As sementes limpas são muito utilizadas para o artesanato. O açaí é uma das sementes brasileiras mais usadas para se fazer artesanato.

 

Babaçu:

O babaçu (Orbignya phalerata, Mart., Attalea speciosa Mart. ex Spreng., Orbygnia martiana Barb. Henderson et al. [1995], Orbygnia martiana Barb. Rodr., Orbygnia speciosa [Mart. ex Spreng.] Barb. Rodr.), também chamado bauaçu, baguaçu,auaçu, aguaçu, guaguaçu, oauaçu, uauaçu, coco-de-macaco, coco-de-palmeira,coco-naiá, coco-pindoba e palha-branca, é uma planta da família das palmáceas (Arecaceae), dotada de frutos com sementes comestíveis das quais se extrai um óleo, empregado sobretudo na alimentação, remédios, além de ser alvo de pesquisas avançadas para a fabricação de biocombustíveis.

O lenho do babaçu é usado na costrução de casas, enquanto que as folhas são utilizadas na cobertura, nas paredes, nas portas e nas janelas. O leite do babaçu e o óleo extraído de suas amêndoas são usados na alimentação; da casca do coco é produzido carvão. A palha, por sua vez, é utilizada para a produção de artesanato. A partir do óleo também se produz sabonete.

 

Castanha do Pará:

A castanha-do-pará é a semente da castanheira-do-pará (Bertholletia excelsa), também chamada castanheira-do-maranhão, tocari e tururi, uma árvore da família Lecythidaceae, nativa emergente da floresta amazônica.

É um fruto com alto teor calórico e protéico, além disso contém o elemento selênio que combate os radicais livres e muitos estudos o recomendam para a prevenção do câncer.

Atualmente, é abundante apenas no estado do Acre, no norte da Boolívia e no Suriname. Incluída na lista vermelha da União internacional para a conservação da Natureza e dos Recursos Naturais como vulnerável, o desmatamento é a ameaça a sua populações. Nas margens do Tocantins, foi derrubada para a construção de estradas e de uma barragem. No sul do Pará, por assentamentos de sem-terra. No Acre e no Pará, a criação de gado provoca sua morte, e a caça das cutias, que são os dispersores naturais de suas sementes, ameaça a formação de novos indivíduos.

É altamente consumida pela população local in natura, torrada, ou na forma de farinhas, doces e sorvetes. Sua casca é muito resistente e requer grande esforço para ser extraída manualmente.

 

Jarina:

O marfim-vegetal, ou jarina, é uma variedade de palmeira encontrada principalmente no norte da América do Sul. Essa árvore de crescimento lento tem belas frondes que brotam diretamente do chão. Por anos não se vê o tronco. Um marfim-vegetal com tronco de dois metros de altura tem pelo menos 35 a 40 anos. Logo abaixo das folhas nascem grandes aglomerados fibrosos que, em geral, pesam 10 quilos e consistem em frutos lenhosos bem compactos. Cada fruto geralmente contém de quatro a nove sementes, mais ou menos do tamanho e formato de um ovo de galinha. De início, as cavidades das sementes contêm um líquido refrescante, parecido com água de coco. Depois, o líquido se transforma numa gelatina doce e comestível. Por fim, a gelatina amadurece e vira uma substância branca e dura, incrivelmente parecida com o marfim de origem animal.

O marfim vegetal é uma alternativa prática, pois se parece com o de origem animal, é extremamente duro, permite bastante polimento e absorve bem os corantes. O marfim vegetal e o animal são tão parecidos que os artesãos em geral deixam um pouco da casca marrom nos seus produtos para provar que não usaram marfim de elefante – proibido em todo o mundo.
O marfim-vegetal não é uma descoberta recente. Já em 1750, o frei sul-americano Juan de Santa Gertrudis mencionou-o em suas crônicas, comparando as sementes a “bolas de mármore” usadas para entalhar estatuetas. No início dos anos 1900, o Equador, principal fonte do marfim-vegetal, exportava milhares de toneladas de sementes todo ano, principalmente para a produção de botões. Depois da Segunda Guerra Mundial, o surgimento de plásticos novos e baratos praticamente acabou com o comércio de marfim-vegetal.

 

Jatobá:

O jatobá (Hymenaea courbaril L. var. stilbocarpa (Hayne) Lee et Lang.; Fabaceae – Caesalpinioideae), também chamada jataí, jutaí e pão-de-ló-de-mico, é uma árvore originalmente encontrada na Amazônia e Mata Atlântica brasileiras, onde ocorre naturalmente desde o Piauí até o norte do Paraná, na floresta latifoliada semidecidual.

A madeira é empregada na construção civil em vigas, caibros, ripas, acabamentos internos (marcos de portas, tacos e tábuas para assoalhos), na confecção de artigos para esportes, cabos de ferramentas, peças torneadas, esquadrias, joias, objetos de arte e peças de decoração, bem como móveis de alto luxo. Conhecida, em inglês, como brazilian-cherry, a madeira do jatobá consta, junto com as do ipê (brazilian-walnut) e as do mogno (mahogany), no grupo das dez mais valiosas e negociadas madeiras do mundo.

A polpa do fruto é comestível e muito nutritiva. É usada como alimento também pela fauna. A disperão das sementes – de duas a quatro em cada legume – se dá, em grande parte, por morcegos.

Entre seringueiros e moradores de regiões próximas das florestas onde se encontram, é comum se utilizar a casca da árvore para fazer um chá, também chamado de “vinho de jatobá”. Acreditam que este chá é um poderoso estimulante e fortificante. Por volta do início dos anos 2000, para evitar a retirada da casca, a Universidade Federal do Acre desenvolveu um método de extração do vinho do jatobá através de uma mangueira. Os mercados americanos e europeus são grande mercado para os extratos de jatobá.

Em épocas diferentes, desde 1930, foi indicada a comercializada para fins medicinais. A partir do final do século XX, passou a ser estudada por etnobotânicos americanos, sendo consumida nos Estados Unidos com os mesmos fins tradicionais. Como planta medicinal, diferentes partes são usadas por indígenas do Brasil, Guianas e Peru contra diarreia, tosse, bronquite, problemas de estômago e fungos nos pés. Estudos recentes indicam que jatobás antigos podem produzir substâncias com eficácia no combate a alguns tipos de câncer.

Tem sido usada na recomposição de matas degradadas e, com este fim, suas sementes são comercializadas pelas redes de sementes oficiais de seus biomas de origem.

 

Lágrima de Nossa Senhora:

Da família das Poaceae e nativa da Índia, a planta se desenvolve melhor em lugares úmidos, por isso é bastante encontrada na Amazônia. A Lágrima de Nossa Senhora, também conhecida pelos nomes capim de contas, capim de nossa senhora e capim rosário, é utilizada no sul da China para a fabricação de esteiras e artesanatos trançados. Também são aproveitadas para a indústria da cervejaria, fornecendo a fécula opcional para diferenciar o sabor da cerveja produzida.

 

Morototó:

Também conhecida como imbaubão e mandiocão-da-mata (Schefflera morototoni (Aubl.) = Didymopanax morototoni (Aubl.) Decne. & Planch). Ocorre no Brasil, em Belize, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Venezuela, Caribe, Cuba, República Dominicana, Porto Rico, Trinidad e Ilhas Virgens. No Brasil, ocorre em quase todo o país. Madeira clara e leve. Utilizada para a fabricação de caixas, engradados, compensados, marcenaria, móveis, lápis, aglomerado, polpa e papel, brinquedos, lâminas decorativas etc. Em instrumentos musicais é utilizada para percussão. Estudos teóricos realizados no LPF sugerem que ela seja experimentada para a fabricação de tampo de violão (com grande possibilidade de sucesso), corpo e braço de guitarra.

 

Muruci:

O murici (Byrsonima crassifolia), também conhecido como murucimurici-da-praia ou murici-do-brejo, é uma árvore da família Malpighiaceae, nativa do norte e nordeste do brasil.

Esta árvore é freqüente nas regiões de terrenos úmidos, próximos a rios e lagoas. Não é conhecida a utilização em paisagismo, apesar de sua beleza, especialmente quando em floração. Existem outras espécies de murici, inclusive arbustos, e a característica de todas elas é o fruto pequeno e comestível, de sabor ácido.

Fruta nativa do Nordeste brasileiro, é encontrada em regiões serranas e próximas ao litoral. Já conhecida desde 1570 pelos indígenas como mureci. Hoje conhecida como murici, murixi, muruci e fruta de jacu. A cor amarela, quando madura, chama a atenção. Apesar do tamanho pequeno possui sabor e cheiro intensos e característicos, não se comparando a outro fruto. Pode ser usada na fabricação de sucos, doces, licores, geléias e sorvetes.

 

Pupunha:

Bactris gasipaes Kunth, conhecida pelos nomes comuns de pupunha, pupunheira epupunha-verde-amarela, é uma planta da família Arecaceae (antiga Palmae). Pode crescer até 20 m e é originária das florestas tropicais do continente americano. É muito conhecida e consumida pelas populações nativas da América Central até a Floresta Amazônica, sendo há séculos utilizada na sua alimentação.

Os frutos são frequentemente consumidos depois de cozidos em água e sal ou na forma de farinha ou óleo comestíveis. Contudo, também podem ser matéria-prima para a fabricação de compotas e geléias.

No Brasil, essa planta é uma solução viável para a indústria palmiteira porque apresenta características agronômicas adequadas para a substituição, com vantagens, de outras palmeiras nativas, como o açaí (Euterpe oleraceae) e ajuçara (Euterpe edulis), que são exploradas de forma extrativista e predatória e, por isso, apresentam restrições legais e risco de extinção. O mercado interno brasileiro de palmito é cerca de cinco vezes maior do que o externo, que, no entanto, apresenta uma demanda crescente, devido ao crescento uso do produto na culinária internacional. O cultivo da pupunha é economicamente importante também para a Costa Rica.

 

Saboneteira:

Sapindus saponaria L., também conhecida pelos nomes populares de árvore-do-sabão, fruta-de-sabão, ibaró, jequiri, jequiriti, jequitiguaçu, pau-de-sabão, pau-sabão, sabão-de-macaco, sabão-de-mico, sabão-de-soldado, sabãozinho,saboeiro, saboneteira, saboneteiro, salta-martim e saponária é uma planta da família das Sapindaceae, nativa das regiões tropicais da América. Tem folhas penadas e flores brancas dispostas em panículas. Os seus frutos têm sementes pretas e esféricas. Chega a atingir 8 m de comprimento.

 

 

Tucumã:

Tucumã (Astrocaryum aculeatum) é uma palmeira que chega a medir até 20 m, geralmente solitária, de estipe com faixas de espinhos negors negros, folhas ascendentes, inflorescência ereta e frutos amarelos com tons avermelhados. É uma palmeira nativa da Colômbia e de Trinidad ao Brasil, especialmente dos estados do Acre, Amazonas, Pará e Rondônia, sendo explorada ou cultivada por seu palmito e fritos comestíveis, pela sua madeira, usada para fazer brincos, pelo óleo das sementes, utilizada em cozinha, e também pelas folhas, das quais se extrai fibra de tucum para a confecção de redes e cordas que resistem à água salgada. Também conhecida pelos seguintes nomes: acaiúra, acuiuru, coqueiro-tucumã, tucum, tucumã-açu, tucumã-arara, tucum-açu, tucumaí-da-terra-firme, tucumãí-uaçu, tucumã-piririca, tucumã-purupuru e tucum-do-mato.

 

 

Olho de Cabra:

Ormosia arborea Fabaceae-Papilionoideae. Também conhecida como Olho-de-cabra, Olho-de-boi, Pau-ripa (SC), Angelim-ripa, Coronha. A árvore proporciona ótima sombra e é bastante ornamental, podendo ser utilizada na arborização de ruas e avenidas. Pode também ser empregada para plantios mistos destinados à recomposição de áreas degradadas de preservação permanente.

 

Feijão Vermelho:

Erythrina velutina Willd
Também conhecida como suína, mulungu, canivete e corticeira, a madeira é utilizada na confecção de tamancos e jangadas, brinquedos e caixotaria. A árvore é extremamente ornamental, isto tem estimulado seu uso no paisagismo, principalmente na arborização de ruas, jardins e alamedas. Também é utilizada no sombreamento de cacaueiros e como cerca viva pela facilidade com que pega de estacas espetadas no próprio local. As flores são freqüentemente visitadas por pássaros que sugam seu néctar.
Leucena:
Comumente confundida com sementes de melancia, é uma espécie de crescimento rápido. Árvore de baixo porte e em geral sem aproveitamento para a madeira, a não ser para lenha. É capaz de recuperar solos cansados, pela fixação do Nitrogênio na terra. Não é nativa do Brasil (sua origem é a América Central), mas bastante propagada em diversas regiões.
Tento:
Adenanthera Pavonina
Essa semente é confundida com a semente do Pau Brasil, por isso, em muitos locais, a chamam por esse nome. A árvore é de tamanho médio e pode ser encontrada em todo o país. Além do artesanato, a semente pode ser usada como alimento, após ser cozido. A ingestão sem o devido preparo é tóxica. O tronco, coloração vermelha, é utilizado na confecção de móveis e também de corantes.