Brazilian Art Blog / Blog de Arte Brasileira- Artenata

Um blog dedicado à arte, ao artesanato e à cultura popular brasileira.

Din | Luiz Gonzaga

Aparecido Gonzaga Alves, o artesão Din, como é conhecido, começou a trabalhar com a madeira nos anos 2000 lixando peças para um amigo escultor. Dois anos depois ele ingressou no Centro de Cultura Popular Mestre Noza, no Ceará, onde está aprendendo e aperfeiçoando seu trabalho.

O Centro de Cultura Popular Mestre Noza é um dos espaços de artes mais representativos do Ceará. Localizado em Juazeiro do Norte, conta com quase 200 artesãos associados. O Centro foi criado no ano de 1983 em homenagem ao pernambucano Mestre Noza, considerado o primeiro artesão da região.

O objetivo do Centro é proporcionar aos artesãos maiores oportunidades de trabalho, para que eles possam garantir renda em uma atividade sustentável. No espaço, os artesãos produzem, expõem e comercializam as obras.

As peças mais conhecidas de Din são as esculturas que ele faz de Luiz Gonzaga.  Conhecido como Rei do Baião, Luiz Gonzaga foi um importante cantor e compositor popular brasileiro. Nascido em Pernambuco, o artista cantava acompanhado de sua sanfona, zabumba e triângulo e frequentemente era convidado para tocar em festas juninas e forrós.

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Aparecido Gonzaga Alves, also know as the craftsman Din, started working with wood in the 2000s sanding parts for a sculptor that is his friend. Two years later he joined the Master Noza Center of Popular Culture, at Ceará, where he is learning and perfecting his work.

The Máster Noza Center of Popular Culture is one of the most representative spaces of arts on Ceará. Located in Juazeiro do Norte, it has nearly 200 members artisans. The Centre was established in 1983 in honor of Master Noza, considered the first craftsman of the region.

The goal of the center is to provide greater opportunities for artisans work, so they can ensure income on a sustainable activity. On the center, the craftsmen produce, exhibit and sell the sculptures.

The best-known pieces of Din are the sculptures he makes of Luiz Gonzaga. Known as the King of Baião, Luiz Gonzaga was an important popular Brazilian singer and composer. Born in Pernambuco, the artist sang accompanied by his accordion, bass drum and triangle and was often invited to play in the June and forró parties.

 

 

Texto e Foto: Larissa Pampolha

Aristides Antônio Almeida | Artesanato Brasileiro

Aristides Antônio Almeida é um artesão de Itararé, cidade do interior de São Paulo. Por necessidade, ele começou a trabalhar com artesanato. Hoje em dia, trabalha com palha de milho, mas já trabalhou com cerâmica, dobraduras de arame e pintura, sempre buscando algo que pudesse diferenciá-lo dos outros artistas.

O artesão trabalha criando imagens sacras a partir de materiais naturais, como palha de milho, cascas de eucalipto, cipó e algumas sementes. A família inteira de Aristides está envolvida no trabalho. Segundo ele, todos ajudam a colher os materiais de sítios e fazendas próximos para que o trabalho possa ser feito.

A palha de milho é comprada de um agricultor local.  Para que ela não seja nociva por conta de agrotóxicos utilizados na plantação, Aristides utiliza apenas a palha mais próxima da espiga. E para combater os fungos naturais da palha, ele as ferve por pelo menos meia hora antes de começar o trabalho.

Os materiais utilizados por ele, como faz questão de lembrar, são todos retirados sem agredir a natureza. São utilizadas apenas coisas “descartadas”. Aristides tem se destacado no estado de São Paulo e participa de diversas exposições.

 

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Aristides Antonio Almeida is a craftsman from Itararé, city of São Paulo state. By necessity, he began working with crafts. Today, he works with corn straw, but previously has worked with ceramics, wire folds and painting, always looking for something that could differentiate him from other artists.

The artisan creates sacred images from natural materials such as corn straw, eucalyptus bark, vines and some seeds. The whole family is involved Aristides work. According to him, they all help to reap the materials from nearby farms and ranches so that work can be done.

The corn straw is bought from a local farmer. In order that the pesticide account used in planting do not offer any harm, Aristides uses only the straw that is nearest to the cob. And to combat the natural fungi straw, he boils the material for at least half an hour before starting the work.

The materials used for it, as he also points out, are all removed without harming nature. He only uses “discarded” things. Aristides has excelled in São Paulo and participates in several exhibitions.

 

Texto e Foto: Larissa Pampolha

Mestre Expedito Santeiro | Artesanato Brasileiro

Com mais de cinquenta anos de carreira na arte da escultura em madeira, Mestre Expedito Santeiro é um dos mais importantes nomes da escultura no Piauí. Autodidata, ele começou a trabalhar com madeira como marceneiro, até que fez algumas peças de arte sacra a pedido do prefeito da cidade onde morava para que pudesse apresentá-las em uma feira municipal.

A partir daí, ele continuou desenvolvendo sua arte e hoje em dia já tem mais de 12 mil esculturas espalhadas pelo Brasil e pelo mundo. Alguns lugares como igrejas em Teresina, o Vaticano, a Casa Branca e o Museu de Arte Sacra de São Paulo possuem obras do Mestre Expedito em exposição.

Além das esculturas em madeira, o artista também se dedica à pintura de estilo primitivo com traços que lembram as esculturas feitas por ele. Algumas possuem molduras com entalhe na madeira.

No ano de 2005, Mestre Expedito Santeiro foi homenageado com a “Medalha do Mérito Renascença do Piauí”, considerada a maior comenda concedida pelo Governo do Estado. Ele já expôs em diversos países e ganhou vários prêmios nacionais e internacionais.

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With over fifty years of career in the art of wood carving, Master Expedito Santeiro is one of the most important names in sculpture at Piauí. Self-taught, he began working with wood as a carpenter, until he made a few pieces of sacred art as a request of the mayor at the town where he lived so he could present them at a county fair.

From there, he continued to develop his art and today already has over 12,000 sculptures scattered throughout Brazil and the world. Some places like churches in Teresina, the Vatican, the White House and the Museum of Sacred Art of São Paulo have the Expedito Master works on display.

In addition to wooden sculptures, the artist is also dedicated to primitive style of painting with traits that resemble the sculptures done by him. Some of the paintings have notched wood frames.

In 2005, Master Expedito Santeiro was honored with the “Piauí Renaissance Medal of Merit”, considered the highest award granted by the State Government. He has exhibited in several countries and has won several national and international awards.

 

Texto e Foto: Larissa Pampolha

Zezinha | Vale do Jequitinhonha

Há 30 anos trabalhando com artesanato em cerâmica, Zezinha se tornou uma das artesãs mais prestigiadas do Vale do Jequitinhonha. Ela começou a fazer o artesanato por necessidade, já que era a única fonte de renda disponível.

Zezinha esculpe galinhas d’angola, flores e animais de estimação, mas são as bonecas de barro que viraram sua marca registrada. O trabalho da artesã tem uma técnica aprimorada e acabamento diferenciado. As mulheres retratadas por ela são, em sua maioria, noivas ou mães.

Algumas pessoas fazem questão de viajar até o Vale do Jequitinhonha para conhecer o trabalho dela e de outros artesãos locais. Esses turistas ficam hospedados na casa das artesãs e participam do dia a dia local, além de acompanhar o processo de produção das peças e ter a possibilidade de participar de oficinas de artesanato.

As bonecas de Zezinha estão disponíveis em diversos acervos nacionais – como no Palácio no Planalto, em Brasília – e internacionais. Suas peças já foram compradas inclusive pela ex primeira dama da França, Carla Bruni.

 

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After 30 years working with ceramics, Zezinha became one of the most prestigious artisans of the Jequitinhonha Valley. She began making crafts out of necessity, since it was the only source of income available at the time.

Zezinha carves flowers and pets, but the clay dolls became her trademark. The work of the artisan has an improved technique and differentiated finishing. Women portrayed by her are mostly brides or mothers.

Some people are keen to travel to the Jequitinhonha Valley to know her work and other local artisans. These tourists are staying at the home of artisans and participate in the local daily life, follow the process of production of the dolls and can participate in craft workshops.

Zezinha dolls are available in several national collections – as in the Planalto Palace in Brasilia – and international. Her pieces have been bought also by the former first lady of France, Carla Bruni.

 

Texto e Foto: Larissa Pampolha

Opalas de Pedro II | Piauí

Na cidade de Pedro II, distante 209 quilômetros de Teresina, capital do Piauí, são encontradas opalas de alta qualidade. Elas são consideradas muito mais resistentes e de melhor qualidade plástica. O local é uma das únicas regiões de garimpo de opala da América Latina e do mundo.

A movimentação da economia da cidade através do garimpo é tão grande que hoje em dia emprega diretamente mais de 1.500 pessoas na cidade, que tem uma população de pouco mais de 37 mil habitantes.

A gema é encontrada em grande quantidade em Pedro II. Elas são diferentes pela beleza e brilho, e podem ser classificadas em três tipos: a opala negra, de cor preta; a opala de fogo, de cor vermelha; e a opala nobre, considerada extra, com sete cores.

As pedras garimpadas são utilizadas como adorno e servem para a produção de brincos, colares e anéis. As joias produzidas com a pedra de opala em Pedro II são confeccionadas em prata 950 de forma totalmente artesanal e já conquistaram o prêmio Top 100 de artesanato do Sebrae.

 

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In the town of Pedro II, distant 209 km from Teresina, capital of Piauí, are found high quality opals. They are considered more resistant and they have much better quality. The place is one of the only regions of opal mining in Latin America and the world.

The changes in the city’s economy through mining are so great that today it directly employs more than 1,500 people in the city, which has a population of just over 37,000 inhabitants.

The gem is found in large quantities in Pedro II. They are different for the beauty and brightness, and can be classified into three types: black opal, with a black color; the fire opal, with a red color; and the noble opal, considered extra, with seven colors.

The mined stones are used as adornment and also for the production of earrings, necklaces and rings. The jewels produced with opal stone at Pedro II are made of silver 950 fully handcrafted and have won the Top 100 Sebrae crafts award.

 

Texto e Foto: Larissa Pampolha

Trançados da Ilha | Artesanato Brasileiro

A Carnaúba é uma árvore encontrada na região semiárida do Nordeste Brasileiro. É considerada símbolo do estado do Ceará. A palha da carnaúba é muito utilizada para desenvolver peças artesanais como cestas, trançados, bolsas, chapéus e caixas.

Essa atividade é uma importante fonte de renda para a população, pois o artesanato feito com trançado é muito apreciado por turistas que visitam a região.

A palha da carnaúba é a matéria-prima utilizada pelos artesãos da Ilha Grande de Santa Isabel, no Piauí. Esta comunidade está situada a 326 km de Teresina, capital do estado. É a maior e mais importante Ilha do Delta do Rio Parnaíba, considerado um santuário ecológico que tem atraído muitos turistas.

A associação de artesãos é formada por vinte mulheres e cinco homens, e é chamada de Trançados da Ilha. Os principais produtos confeccionados por eles são mandalas, cestos, pratos com desenhos tribais e caixas. Para o tingimento da palha, é usada a anilina e as ferramentas mais utilizadas na produção são a faca, tesoura e agulha.

 

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Carnauba is a tree found in the semiarid region of Northeast of Brazil. It is considered the Ceará state symbol. The carnauba straw is widely used to develop handicrafts such as baskets, bags, hats and boxes.

This activity is an important source of income for the population, because the braided handicrafts are much appreciated by tourists that visit the region.

The carnauba straw is the raw material used by the artisans of the Big Island of Santa Isabel, in Piauí. This community is located 326 km from Teresina, the state capital. It is the largest and most important island in the River Delta Parnaiba, considered an ecological sanctuary that has attracted many tourists.

The association of artisans is comprised of twenty women and five men, and is called “Trançados da Ilha”. The main products made by them are mandalas, baskets, dishes with tribal designs and boxes. For dyeing the straw, they use aniline and the tools most commonly used in production are the knife, scissors and needle.

 

Texto e Foto: Larissa Pampolha

Capim Dourado | Artesanato Brasileiro

O capim dourado é uma planta cultivada na região do Jalapão, no estado do Tocantins. Sua característica principal é a cor que lembra a do ouro, por isso o nome. O uso do capim para a confecção das peças de artesanato começou a se expandir no ano de 1993, durante uma Feira na cidade de Palmas, capital do Tocantins. Na época o trabalho apresentado pelos artesãos despertou o reconhecimento do público pela originalidade.

De acordo com relatos de artesãos locais a produção com o capim dourado é herança indígena do povo Xerente. Eles habitam a margem direita do rio tocantins e são hábeis no artesanato em trançado. Costuravam o capim usando espinhos como agulha e faziam utensílios domésticos. A técnica foi repassada de geração em geração.

O Capim Dourado só pode ser colhido entre 20 de Setembro e 20 de Novembro para que não entre em extinção. Existem também regulamentações no estado do Tocantins que proíbem a saída do material “in natura” da região, ou seja, ele só pode ser comercializado em forma de peças já produzidas pela comunidade local. Essa medida visa a sustentabilidade ambiental, social e econômica do local.

Com este material podem ser feitos artesanatos como pulseiras, brincos, chaveiros, bolsas, cintos, vasos, peças de decoração e utensílios. Estas peças da foto são biojoias feitas pela artesã Vanuza Costa, que combina o capim dourado com pedras brasileiras em peças exclusivas e lindíssimas.

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The golden grass is a plant grown in Jalapão region in the state of Tocantins. Its main feature is the color that resembles gold. The use of this grass for making crafts began to expand in 1993, during a Fair in the city of Palmas, capital of Tocantins. At the time the work presented by the craftsmen aroused public recognition for its originality.

According to reports from local artisans the production with golden grass is indigenous heritage from the Xerente people. They inhabit the right bank of the Tocantins river and are skilled in the tressedcraft. They sewed the grass using thorns as needle and made household items. The technique was passed on from generation to generation.

The Golden Grass can only be harvested between September 20 and November 20 not to get endangered. There are also regulations in Tocantins state that prohibit the output of the material “in nature” in the area, so it can only be marketed in the form of substrate produced by the local community. This measure aims at local environmental, social and economic sustainability.

With this material they can make handicrafts such as bracelets, earrings, key chains, bags, belts, vases, decorative items and utensils. These bio-jewelry from the picture are made by artisan Vanuza Costa, which combines the golden grass with Brazilian stones in unique and beautiful pieces.

 

Texto e Foto: Larissa Pampolha

Mestre Luiz Antônio | Artesanato Brasileiro

Mestre Luiz Antônio nasceu em 1935 no Alto do Moura, bairro de Caruaru, Pernambuco. Ele é um discípulo contemporâneo do grande Mestre Vitalino, considerado um dos principais nomes na Arte Popular Brasileira.

Com dez anos de idade Mestre Luiz Antônio já modelava o barro. No início, seu trabalho retratava, como os demais da cidade, o cotidiano do Nordeste. Com o tempo, ele incluiu uma nova temática nesse universo.

Agora ele é conhecido por suas esculturas de profissões, como o fotógrafo, parteira, pedreiros e bandas de forró, além de também esculpir automóveis e motocicletas. Sua esposa, Odete, costuma trabalhar em parceira com ele. Ela dá o acabamento das peças.

Durante a primeira Bienal de Artesanato do Estado de Pernambuco, Mestre Luiz Antônio conquistou o prêmio Eleikeiroz do Nordeste. A peça premiada era o seu famoso poste com eletricistas trabalhando com os fios. Ele também já expôs no Japão, no ano de 1989, por quarenta e seis dias em uma Feira Mundial de Artesanato.

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Master Luiz Antônio was born in 1935 in Alto do Moura, a district of Caruaru in Pernambuco. He is considered a contemporary disciple of the great Master Vitalino, one of the leading names in Brazilian Popular Art.

With ten years of age Master Luiz Antônio already modeled clay. At first, his work portrayed the Northeast everyday, just like the other ones in the city. Over time, he included a new theme in this universe.

Now he is known for his professions sculptures, such as the photographer, midwife, masons and forró bands, and  he also carve automobiles and motorcycles. His wife, Odette, often works in partnership with him. She gives the finish of the pieces.

During the first Biennial of Crafts at the State of Pernambuco Master Luiz Antônio won the Eleikeiroz award of the Northeast. The winning piece was his famous lamp post with electricians working on the wires. He also has exhibited in Japan, in 1989, for forty-six days in the International Handicraft Fair.

 

 

Texto e Foto: Larissa Pampolha

Claudia Liz | Série Brasil

Claudia Liz é uma artista de Goiás, no centro-oeste do Brasil. Ela se mudou para São Paulo com 13 anos, quando começou sua carreira de modelo. A paixão pela pintura começou desde a infância, quando vivia desenhando com canetinhas e pincéis. Durante a sua carreira de modelo, desenhava sempre nas horas vagas. No final da década de 90 participou de um atelier com outros dois artistas.

O trabalho de Claudia é composto em sua maioria de desenhos femininos e retratos, por preferência. Os desenhos feitos por ela também tem características próprias, como olhos grandes nos retratos e cores fortes. As mulheres feitas por ela também possuem o pescoço, pernas e braços alongados.

Claudia Liz trabalha com ilustrações e estampas digitais, carvão e acrílico, mas hoje em dia prefere trabalhar com o guache, que é o material utilizado nestes quadros da série “Brasil”.

Ela foi um dos grandes nomes de destaque da moda brasileira na década de 90. Hoje em dia tem uma agência especializada em comunicação visual e design gráfico, já ilustrou um livro de sua autoria (“O Caminho da Passarela”, com dicas e curiosidades sobre a vida de modelo) e é também ilustradora no jornal Folha de São Paulo.

 

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Claudia Liz is an artist of Goiás, in the Midwest of Brazil. She moved to São Paulo when she was 13 years old, by the time she began her modeling career. The passion for painting began since childhood, when she loved to drawn with pens and brushes. During her modeling career, she used to drawn on her spare time too. At the end of the 90s she participated in a workshop with two other artists.

Claudia’s work consists mostly of female drawings and portraits, by preference. The drawings made by her also have its own characteristics, such as large eyes in portraits and strong colors. Women also have their necks, legs and arms outstretched.

The artists works with graphics and digital prints, charcoal and acrylic, but nowadays prefer to work with gouache, which is the material used in these frames of the “Brasil” series.

She was one of the prominent names of Brazilian fashion in the 90s today has an agency specializing in visual communication and graphic design, has illustrated a book of her own (“The Catwalk path”, with tips and trivia about the modeling life) and is also an illustrator in the newspaper Folha de São Paulo.

Texto e Foto: Larissa Pampolha

Cerâmica Marajoara | Artesanato Brasileiro

A arte marajoara é uma cerâmica fruto do trabalho das tribos indígenas que habitavam a Ilha do Marajó, no estado do Pará. Essa ilha é considerada a maior ilha fluviomarinha (ou seja, é cercada de rios – Amazonas e Tocantins – e de mar – Oceano Atlântico) do mundo. Ela foi descoberta em 1871 quando dois pesquisadores visitaram a ilha, mas apenas na década de 1940 os estudos e pesquisas sobre a arte e o povo marajoara ganharam força.

Os índios confeccionavam objetos utilitários e também decorativos. Durante as pesquisas foram encontrados vasos, potes, urnas funerárias, brinquedos, estátuas, vasilhas, pratos e até mesmo tapa-sexos.

Para aumentar a durabilidade do barro utilizado eram adicionadas outras substâncias, como cinzas de cascas de árvores e de ossos, pó de pedra e concha, além do cauixi, uma esponja silicosa que recobre a raiz de algumas árvores.

Atualmente a cerâmica marajoara é produzidas em Icoaraci, distrito da cidade de Belém, capital do estado do Pará. O local fica próximo da Ilha de Marajó, onde só é possível chegar de barco. A feira de artesanato está instalada em um bairro chamado Paracuri, onde concentra-se a maior parte dos ceramistas. Eles reproduzem réplicas de vasos, jarros, pratos, muiraquitãs e outras peças com o barro encontrado nas reservas de argila próximas ao local.

 

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The marajoara art is a ceramic product of the work of the Indian tribes that inhabited the Marajó Island, in the state of Pará. This island is considered the largest fluvial island (surrounded by rivers – Amazon and Tocantins – and sea – Ocean Atlantic) in the world. The arts were discovered in 1871 when two researchers visited the island, but only in the 1940s studies and research on the art and the marajoara people gained strength.

The Indians made the utilities and also decorative objects. During the research were found vases, pots, urns, toys, statues, pots, dishes and even thongs.

To increase the durability of the clay used, they added other substances such as tree bark and bones ashes, stone and shell powder and “cauixi” a siliceous sponge that covers the root of some trees.

Currently ceramics are produced in Icoaraci, district of the city of Belém, Pará state capital. The location is close to the Marajó Island, that you can only reach by boat. The craft fair is installed in a neighborhood called Paracuri which concentrates most of the potters. They reproduce replicas of vases, jars, dishes, “muiraquitãs” (a kind of amulet) and other things with the clay found in reserves near.

 

 

Texto e Foto: Larissa Pampolha

Índios Tucano | Mauro Salles

O quadro “Tucano” é feito pelo artista paulistano Mauro Salles. Autodidata, ele já passou por várias fases em sua carreira, nas quais já pintou fachadas, paisagens e nus. Há mais de 15 anos se interessou pelo tema indígena, que é exclusividade no seu trabalho atualmente. Mauro já participou de exposições em São Paulo e seus trabalhos estão expostos em inúmeras galerias de arte.

Os índios Tucano integram atualmente 17 etnias que vivem às margens do Rio Uaupés – no estado do Amazonas – e também na Colômbia, na mesma bacia fluvial. Esses grupos indígenas falam línguas da família Tukano Oriental e participam de uma ampla rede de trocas, que incluem casamentos, rituais e comércio, compondo um conjunto sócio-cultural definido.

Eles possuem um modo de vida básico, que inclui a caça e coleta, mas no qual predomina a pesca e a agricultura de coivara, sendo a “mandioca brava” o principal produto. No passado, todos moravam em casas comunais (ou malocas) de estilo relativamente uniforme: uma grande construção retangular com teto maciço de forma triangular e portas em cada ponta.

Hoje no Brasil existem cerca de 240 tribos indígenas, totalizando 900.000 pessoas (ou 0,4% da população do país). 13% do território brasileiro foi reconhecido pelo governo para a população indígena e quase todas estas terras (98,5%) encontram-se na Amazônia.

Apesar das centenas de anos de contato com a sociedade de fora, na maioria dos casos os índios lutaram para manter sua língua e costumes em faxe do roubo e invasão de suas terras, que continua até hoje.

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The “Tucano” painting is made by the São Paulo artist Mauro Salles. Self-taught, he has gone through various stages in his career, where he already has painted facades, landscapes and nudes. For more than 15 years he became interested in indigenous themes, which is now exclusive what he paints. Mauro has participated in exhibitions in São Paulo and his works are exhibited in numerous art galleries.

The Tucano Indians now comprise 17 ethnic groups living on the banks of the Uaupés River – in the state of Amazonas – and also in Colombia, in the same river basin. These indigenous groups speak languages of the Eastern Tukano family and participate in an extensive network of exchanges, which include marriages, rituals and commerce, forming a socio-cultural set defined.

They have a basic way of life, including hunting and gathering, but in which the predominant fishing and swidden agriculture, with the “manioc” as the main product. In the past, they all lived in communal houses (or longhouses) of relatively uniform style: a large rectangular building with massive ceiling triangular shape and doors at each end.

Today in Brazil there are about 240 Indian tribes, totaling 900,000 people (or 0.4% of the population). 13% of the Brazilian territory was recognized by the government for the indigenous population and almost all these lands (98.5%) are located in the Amazon.

Despite hundreds of years in contact with the outside society, in most cases the Indians struggled to keep their language and customs because of the stealing and invasion of their lands, which continues today.

 

 

Texto e foto: Larissa Pampolha

Favela Típica Brasileira

A miniatura de uma favela típica do Rio de Janeiro é feita artesanalmente pela Solluartes, empresa de Minas Gerais que está há 14 anos no mercado. Com o objetivo de divulgar a cultura do país, a empresa também faz réplicas de igrejas barrocas e casarões coloniais tombados pelo patrimônio histórico. O trabalho é feito todo em gesso e pintado com cores próximas as originais.

No estado do Rio de Janeiro existem mais de mil favelas contabilizadas pelo censo. As mais famosas são as favelas da Rocinha, Cidade de Deus, Complexo do Alemão e Vidigal. Hoje em dia, com a pacificação de algumas favelas, foram criados roteiros turísticos onde os visitantes podem conhecer as comunidades por dentro ou do alto.

O roteiro é muito procurado por estrangeiros, mas brasileiros também tem procurado conhecer os locais diferentes na cidade maravilhosa. Saindo do teleférico implantado recentemente no Complexo do Alemão, os turistas podem fazer o passeio sozinho ou com os guias, que mostram do alto os corredores importantes onde ocorreram grandes confrontos policiais ou onde foram gravadas cenas de novelas.

Se quiserem conhecer as comunidades por dentro, as agências de turismo criaram passeios chamados de “favela tour” com destino à favela da Rocinha – a maior comunidade do Rio – e para o morro da Dona Marta, famoso por ter sido cenário de um videoclipe do Michael Jackson.

Durante o passeio os visitantes conhecem os principais pontos das comunidades, param para olhar as paisagens e conhecer também os trabalhos artesanais feitos por moradores locais, que expõe seus trabalhos em feirinhas improvisadas na calçada.

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The miniature of a typical “favela” in Rio de Janeiro is handmade by Solluartes, from Minas Gerais, a company that is 14 years in the market. In order to disseminate the culture of the country, the company also makes replicas of baroque churches and colonial mansions listed by historical heritage. The work is done all in plaster and painted with colors that resemble the original ones.

In the state of Rio de Janeiro there are over a thousand “favelas”, considering the census count. The most famous are Rocinha, “Cidade de Deus”, “Complexo do Alemão” and “Vidigal”. Today, with the pacification of some “favelas”, tourist routes have been created where visitors can learn about the communities within or from above.

The intinerary is highly sought after by foreigners, but Brazilians have also sought to know the different places of the city. Leaving of the cable car recently installed in “Complexo do Alemão”, tourists can take the tour alone or with guides who show the important corridors where there were major police confrontations or where soap opera scenes were shot.

If you want to know the communities inside, tourist agencies created tours called “favela tour” bound for the Rocinha – the largest community of Rio – and to the hill of Dona Marta, famous for having been the scene from a video clip of Michael Jackson.

During the tour visitors know the main points of the communities, stop to look at the scenery and also the crafts made by local residents, which displays the works in trades improvised on the sidewalk.

 

 

Texto e foto: Larissa Pampolha